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Um supervisor de qualidade de uma indústria está sempre preocupado com a produção e armazenamento de alimentos. Afinal, qualquer erro no processo pode gerar doenças nos consumidores devido à contaminação por micróbios, parasitas ou substâncias tóxicas (DTAs).

O caso é tão sério que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a questão como um problema de saúde pública. Em 2015, por exemplo, o órgão mantinha a estimativa de 2 milhões de mortes no mundo por ingestão de comida ou água contaminada.

No Brasil, a Vigilância Epidemiológica faz o controle dos surtos de doenças originados por contaminações. Os dados mais recentes identificaram uma média de 700 surtos que afetaram 13 mil pessoas e provocaram 10 óbitos.

Você não quer ter a marca da empresa associada a um caso de contaminação de alimentos, certo? Então, entenda como guardar os produtos de forma correta para evitar problemas!

Sintomas causados por DTA

A contaminação do alimento pode ocorrer em diferentes momentos: durante o plantio por meio do contato com substâncias tóxicas, no momento de preparação da comida, no transporte e falha no armazenamento. Os sintomas mais comuns apresentados pelo indivíduo que ingeriu um produto infectado são:

  • diarreia;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • alterações em órgãos como rins e fígado.

A melhor forma de evitar problemas para a companhia é por meio do manuseio e armazenamento correto dos produtos.

Boas práticas de armazenamento dos alimentos

A Resolução RDC número 216 da ANVISA instituiu um regulamento para que os estabelecimentos saibam realizar o manuseio e armazenamento de alimentos da forma correta. O requisito é aplicado para variadas situações como:

  • preparação;
  • distribuição;
  • venda;
  • entrega de mercadorias;
  • transporte.

Já a RDC 275 é exclusiva para industrializadores de alimentos. Ela determina as regras para manuseio, higienização do ambiente, documentação de atividades e exames aos quais os profissionais devem ser submetidos.

Sendo assim, confira algumas situações que fazem parte do manual de boas práticas e saiba como aplicá-las em seu negócio:

Condições da instalação

O prédio precisa ser projetado para permitir a preparação de alimentos e limpeza do local sem que ocorra o cruzamento das atividades. Também é fundamental manter um controle de entrada e saída de pessoas. Ainda é importante ter atenção à escolha do tipo de piso e revestimento utilizado nas paredes para facilitar a higienização dos ambientes.

Higienização correta

Os espaços e equipamentos precisam ser lavados de forma adequada para minimizar os riscos de contaminação dos alimentos. Contudo, também deve-se evitar que os produtos tenham contato com itens saneantes e substâncias para melhorar o aroma do ambiente.

Controle de vetores de doenças

A empresa deve-se responsabilizar por realizar ações para prevenir e combater os vetores e pragas urbanas com o intuito de evitar a proliferação deles e a possível contaminação dos alimentos.

Uso da água

A companhia também deve disponibilizar água potável para a manipulação de alimentos como forma de evitar a contaminação durante o processo de preparação ou congelamento.

Embalagens e ingredientes

O estabelecimento ainda é responsável por selecionar fornecedores de qualidade para obtenção de matérias-primas e verificar o prazo de validade apresentado nas embalagens.

Armazenamento de alimentos

Os produtos devem ser mantidos em área refrigerada e dentro de embalagem própria para a finalidade. Peças de frango congelado, por exemplo, são acondicionadas em plásticos com a identificação da temperatura correta para sua manutenção em freezer. Os alimentos ainda devem ficar protegidos de produtos contaminantes e apresentar a data de preparo e vencimento.

Além disso, é fundamental utilizar um sistema para monitorar a temperatura e umidade do ambiente a fim de evitar a proliferação de bactérias.

Transporte

Não adianta a companhia se preocupar com todo o processo de compra e preparo se o transporte não é feito de forma correta. Os produtos refrigerados demandam o uso de caminhões específicos que tenham condições de manter a temperatura durante o trajeto.

O ideal é ter um sistema de monitoramento em tempo real da carga para identificar possíveis falhas no equipamento.

Enfim, o processo de produção, manuseio e armazenamento de alimentos exige uma atenção redobrada do profissional de qualidade. Um erro simples de um funcionário pode desencadear a perda de um lote inteiro.

Quer entender como melhorar os processos para manter a temperatura dos alimentos? Acesse o artigo que explica as melhores práticas para monitorar o ambiente!


Caroline Dallacorte

Engenheira de Alimentos
Mestre em Tecnologia e Gestão da Inovação
Consultora na área de qualidade e produtividade

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